quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

RELATÓRIO DO CONGRESSO DA ORDEM TERCEIRA DO CARMO DA PROVÍNCIA SANTO ELIAS



          Aconteceu dos dias 10 a 13 de Outubro em Juiz de Fora - MG no seminário Arquidiocesano Santo Antônio, o Congresso da Ordem Terceira do Carmo cujo tema foi “Apostolado do Leigo Carmelita” – Em Obséquio de Jesus Cristo. Este nosso Congresso Provincial teve reflexos vindo do Congresso Internacional para o Laicato Carmelitano realizado na Itália em Sassone – Roma, no final do ano passado, cujo tema foi “A Formação dos Leigos Carmelitas para o Apostolado”.
          Após a apresentação dos Sodalícios presentes e da oração inicial do Congresso, o Ir Paulo Daher leu a mensagem que o Pe Geral, Frei Fernando Millan, enviou para os congressistas, da qual transcrevemos alguns pontos que são importantes para nossa caminhada.
         “Uma das dimensões fundamentais da vida cristã e da vida carmelita é o testemunho. Nós carmelitas (frades, monjas de clausura, religiosas de vida ativa e leigos em todas as formas e tipos de pertença à família carmelitana) devemos ser homens e mulheres de oração, que tenham uma vida espiritual profunda e que experimentem dia a dia as provas de amor de Deus. Hoje, mas que nunca, os leigos carmelitas são chamados a “testemunhar” (com humildade, com valentia, com coerência de vida) essa experiência profunda e transformadora do amor de Deus”.
Padre Geral envia também mensagem sobre o ser missionário carmelita.”Quando falamos de “missão”, vocês leigos carmelitas, em suas mais diversas modalidade e formas, fazem parte da mesma. Sem vocês, leigos carmelitas, nossa missão no mundo de hoje seria impossível mantê-la e levá-la a cabo. Por isso, convoco vocês para que se aprofundem em nossa identidade carmelita, que tomem parte ativa na tarefa de formação, que sigam crescendo no significado do que é ser um terceiro carmelita no século XXI e, por último, que acreditem nesta missão fascinante: testemunhar no mundo de hoje o amor de Deus. Vocês são parte integrante e ativa da missão do Carmelo no mundo de hoje! Contamos com todos vocês!”

         Trazendo para nossa realidade de Brasil e mais em particular a nossa Província Carmelitana de Santo Elias, este tema central foi dividido em cinco conferências:
1 - FORMAÇÃO DO LAICATO PARA O APOSTOLADO,
2 - A CONTEMPLAÇÃO E A ORAÇÃO NO APOSTOLADO
3 - O PAPEL DOS LEIGOS NA DIMENSÃO FRATERNA E PROFÉTICA DO APOSTOLADO
4 - ESPIRITUALIDADE DO APOSTOLADO
5 - OS SETE PONTOS DA VIDA CARMELITA
Abaixo um pequeno resumo das conferências:

FORMAÇÃO DO LAICATO PARA O APOSTOLADO, foi proferida pelo Ir Paulo Daher, do Sodalício de Angra dos Reis- RJ e coordenador da Comissão Provincial para a Ordem Terceira do Carmo, Ir Paulo começou sua apresentação dizendo que a formação acontece em cada um de nós, de forma individual e ao mesmo tempo de forma coletiva, pois se pertencemos a um Sodalício nos formamos juntos para crescermos na fé e na espiritualidade carmelita visando cumprir a ordem de Maria que disse “fazei tudo o que Ele vos disser”, isto é ser seguidor de Jesus. O que anima no caminho de formador e formando é a presença do Espírito Santo que nos move, através da oração, a sermos capazes de sempre seguir em frente. Dom Vital Wilderinnk, em seu livro Místicos e Místicas, nos ajuda afirmando que “mística é um processo de transformação pessoal. Trata se de uma transformação que tem seu ponto de partida no interior de uma pessoa... no fundo de sua alma”. Com essa definição devemos tomar esse exemplo por imitação e nos colocar em oração e contemplar a vida e nos colocar em serviço. Essa transformação passa necessariamente por três pontos importantes, a saber, oração, comunidade e serviço. A formação é um processo continuo para o apostolado e não é coisa nova que deva ser inserida nos conteúdos de formação, mas é algo que já esta inserido na formação, pertence a formação e vai se desenvolvendo a partir dela. Partindo do principio que os carmelitas são pessoas de oração e vive em comunidade é de
supor que o serviço acaba acontecendo naturalmente, pois e tomada de decisão. Observando a Regra da Ordem Terceira nº 36, 47 e 49 percebemos que ela nos indica para sermos formados na oração e no apostolado. Daí a importância em estudar a Regra e assim entender que todo o processo de formação dos carmelitas vai levar a exercer o Apostolado. Ir Paulo termina a conferência dizendo que são muitos os desafios no processo formativo para o apostolado, mas cada Sodalício deve apontar o próprio caminho que deve seguir rumo a um apostolado que seja uma maneira concreta de viver a vida contemplativa da oração e do serviço. Os terceiros carmelitas são sustentados pelo Espírito e não se deixam desencorajar e que estão prontos a testemunhar a própria fé por meio de suas boas obras, recebendo a força de atrair outras pessoas, tornando se assim louvor da glória de Deus (Regra da OTC 47 e 48).
PARA REFLEXÃO EM GRUPO
1)   Como carmelita, de que maneira vivo as dimensões da oração, comunidade(fraternidade) e serviço?   Existe algum trabalho concreto de apostolado em sua comunidade carmelita?
2)   Como deveria ser a formação para o apostolado?    
3)   Quais os desafios que dificultam a formação para o apostolado? Como vencê-los?


2 - A CONTEMPLAÇÃO E A ORAÇÃO NO APOSTOLADO, Foi proferida pelo Ir Vicente Maria da Cruz, do Sodalício de São José dos Campos - SP e Assessor de Animação da Comissão Provincial para a Ordem Terceira do Carmo. O Irmão começou a conferência definindo que Contemplação é o estar com Deus, comunicando se com Ele de um modo indefinido, sem nada usar. Contemplar é quando o Eu é absorvido por Deus gratuitamente, sem nenhum esforço da criatura. Citou a passagem do livro do Genesis onde o próprio Deus contempla a criação. Aparece seis vezes a frase “Deus viu que isso era bom” e quando Deus contempla a criação do homem, o texto diz “Deus contemplou toda a sua obra, e viu que tudo era muito bom”, Foi citado também o evangelho de Mt 6,28 e Mc 12,41 onde Jesus contempla a natureza e também a oferta sincera da pobre viúva. Por fim salienta que não é possível ser orante e contemplativo sem ficarem sensível as pessoas. Esta sensibilidade acaba gerando no coração a necessidade de exercer um apostolado. Oração é dinâmica e por isso mesmo acaba gerando vida em favor do outro. Foi citado a frase do Beato Tito Brandsma onde diz “olhar o mundo com Deus no fundo”, isto é ser um orante contemplativo. Citou também a Regra da Ordem Terceira do Carmo no artigo 32,33, 36 e 46, que fala sobre a dimensão contemplativa da existência, a vida de Oração e o Serviço.
PARA REFLEXÃO EM GRUPO
1-   Na minha vida particular, como carmelita, tenho dedicado tempo à oração e a contemplação?
2-   A vida de oração e contemplação no meu Sodalício, como está?
3-   Tenho levado meu irmão e minha irmã a exercerem um apostolado?
4-   Somos carmelitas, o que muda na família, na sociedade e na Igreja?


3 - O PAPEL DOS LEIGOS NA DIMENSÃO FRATERNA E PROFÉTICA DO APOSTOLADO, proferida Frei Geraldo D`Abadia, O Carm., Provincial da Província Carmelitana de Santo Elias. Frei Geraldo quis dentro deste assunto conversar sobre a carta que o Papa Francisco escreveu aos Carmelitas reunidos em Roma por ocasião do Capítulo Geral. O Papa Francisco apresenta a Igreja como mãe, aquela que cuida, onde todos devem ser mais fraternos, pois tem tantas pessoas feridas. Na palavra de Frei Geraldo os Sodalícios devem ser também como mãe, para acolher a todos e cuidar daqueles que já estão sobre sua proteção. É missão de toda a Igreja, levar Cristo ao mundo e o carmelita tem que unir esta missão com a vivência do Carisma e da Espiritualidade. Lugar do Carmelita é do lado de Jesus. Cuidemos pra não perdermos a nossa identidade. Somos carmelitas! E como tal temos que pensar no que estamos oferecendo as pessoas. Não esqueçamos que devemos ter sempre uma cultura capitular onde em nossas comunidades deve ser discernido, deve ser conversado. Temos que deixar Deus ser Deus em nossa vida, na vida comunitária e na vida de Igreja. O Papa fala em sua carta sobre a subida do monte da perfeição que passa pela vivencia do Obséquio de Cristo, Oração e Missão. Se vós sois aqueles que nos ensinam a rezar...e Vós vos definis como ‘contemplativos no meio do povo”. Sois chamados então a dar testemunhos no meio do povo!

4 - ESPIRITUALIDADE DO APOSTOLADO, proferida pela Ir Theresa Mattos, do Sodalício de Vicente de Carvalho - RJ e Assessora de Carisma e Espiritualidade da Comissão Provincial para a Ordem Terceira do Carmo. Ela começou a conferencia dizendo que o tema é um assunto de grande importância no mundo de hoje. Cita o texto bíblico da parábola do Bom Samaritano onde o texto nos esclarece o conceito de “meu próximo” que é fundamental para o Apostolado.
Disse concluindo que qualquer um que necessite de mim e eu possa ajudá-lo, este é o meu próximo. O amor ao próximo é um caminho que nos ajuda a encontrar Deus. O nosso amor para com Deus leva-nos ao encontro do outro. O outro não é simplesmente mais um e sim o meu irmão a quem devo ajudar a quem devo exercer um apostolado. È o Espírito Santo que nos move nesta direção. É o Espírito Santo que faz mudar nosso coração. O Apostolado é prestar um serviço de amenizar o sofrimento e ajudar o outro nas suas necessidades. Cita o livro dos Atos dos Apóstolos, onde na Igreja primitiva os irmãos acolhiam aos necessitados. Houve a criação do ministério do serviço (diácono) para socorrer os órfãos e as viúvas. Não é possível alguém fazer a opção por Cristo sem exercer o serviço em benéfico dos necessitados. Todos os Carmelitas do passado e os do presente foram chamados a desenvolver através da espiritualidade carmelitana o apostolado sendo fieis na oração. Por fim ela termina implorando a virgem Maria para que nos mostre o verdadeiro amor onde sua origem é Deus que nos ajude a vivermos o nosso Apostolado.
 PARA REFLEXÃO EM GRUPO
1-   Como você vê a participação da formação na santidade do apostolado? Por que?
2-   A vocação é fundamental para o exercício do Apostolado, por que?
3-   De que maneira você colocaria a contemplação no apostolado? Explique.

5 - OS SETE PONTOS DA VIDA CARMELITA, proferida pelo Frei Carlos Mesters, O. Carm, nosso Delegado Provincial onde ele usa um livrinho organizado por ele mesmo intitulado Círculos Bíblicos da e
Espiritualidade Carmelita (vendido no congresso e que vai ser reeditado). Neste livreto frei Carlos citou as palavras que o Padre Geral, frei Fernando Milan Romeral dirigiu a todos da família carmelita por ocasião da rededicação da primeira Igreja Carmelita da América
Latina em Olinda, Recife. Os setes pontos são 1- Formação, 2- Organização, 3- Vocações, 4- Libertação, 5- Religiosidade popular, 6- Espírito Missionário, 7- Ecumenismo. Estes sete pontos são desafios pra todos os carmelitas no Continente Americano. Frei Carlos continua as palavras de Frei Fernando onde ele diz: A formação deve abranger os vários aspectos da nossa vida humana, familiar, espiritual, eclesial carmelitana. É uma atitude espiritual, uma forma de estar no mundo para poder servir melhor o povo de Deus. Os Sodalícios não podem viver fragmentados, isolados um dos outros. Devemos tomar maior consciência de que formamos parte de uma grande família. Com respeito a vocações, deve se enfatizar que a vida carmelitana não se limita somente a devoção a Nossa Senhora do Carmo ou a carregar o Escapulário mas tem conotações vitais muito mais profundas que são os votos e a vida comunitária. Nós carmelitas, desde a nossa espiritualidade contemplativa, desde a nossa tradição e nosso carisma, podemos contribuir para esta tarefa libertadora, inerente a fé e ao próprio cristianismo. Não podemos descuidar e muito menos desprezar a riqueza espiritual, cultural, a piedade popular e a religiosidade do povo da America latina. A respeito do espírito missionário, nós carmelitas devemos fazer acontecer a partir da nossa própria identidade, nosso carisma e espiritualidade. Este é o nosso melhor serviço para a Igreja. Nós carmelitas fomos através da historia acostumados a viver o nosso carisma dentro de situações culturais diversas. Estamos então dotados para o diálogo ecumênico e para o dialogo interreligioso. Os desafios estão ai e nós carmelitas, filhos do profeta Elias, o profeta das três grandes religiões monoteístas, nos sentimos chamados a colaborar e a fazer nosso este desafio que a Igreja enfrenta na América Latina.

           Por fim logo após cada conferência, os participantes reuniam se em grupos para partilha de três questões propostas pelos conferencistas e escolhiam um representante para apresentar em plenário o resultado da partilha, enriquecendo o Congresso com mais variadas reflexões e trocas de experiências.
           Fizeram se presentes no Congresso 55 irmãos e irmãs vindos dos Sodalícios de Ouro Preto, Sabará, Carmo de Minas, Barbacena, Juiz de Fora, São João Del Rey, Passa Quatro, Unaí, Jaboticabal, São José dos Campos, Taubaté, Bragança Paulista, Campinas, Basílica, Sapopemba (em formação), Lapa, Vicente de Carvalho, Angra dos Reis, Brasília.
           Na noite de sábado houve a “noite cultural” com diversas apresentações, como musica regional, contador de piadas, historias regionais, peça de teatro muito engraçada sobre a figura do Mazzaropi, apresentações e sorteio de produtos típicos de diversas regiões.

         No dia 13, dia da Família Carmelitana, o número de participantes chegou a mais de 200 irmãos e irmãs. Neste dia houve uma verdadeira confraternização entre irmãos e irmãos que buscam a vivência do carisma e da espiritualidade carmelitana. Fizeram se presentes alem dos membros da Comissão, os freis: Carlos Mesters, Valter Rubens, Frei Alberto e também o frei Geraldo D`Abadia, nosso provincial que presidiu festivamente a Santa Missa de encerramento. A igreja do seminário arquidiocesano ficou pequena diante de tantos carmelitas.

           Por fim, de uma maneira geral o Congresso ficou com um desejo de quero mais! Como foi bom os irmãos e as irmãs carmelitas se encontrarem! Muitos disseram que o Congresso correspondeu as expectativas e que agora vão levar para os Sodalícios as propostas e procurar descobrir um jeito de se viver o Apostolado Leigo Carmelita dentro de cada realidade. A Comissão agradece os esforços de todos os irmãos, irmãs e frades para que este Congresso, apesar de muitas
dificuldades, se tornasse realidade. Que a Virgem Mãe e Irmã dos Carmelitas, a Senhora do Carmo abençoe a todos e um até breve! Até o próximo Congresso!

Ir Vicente Maria da Cruz, otcarm.
Assessor de Animação da Comissão para o Laicato Carmelita da Província Santo Elias.

e-mail: irvicenteotc@gmail.com

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